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29/08/2021

A Fada de rodinhas


Desigualdade e miséria
brasileiro sabe como é…
Mas com asas nas costas
e um skate no pé
a criança encantada
no olimpo e seus louros
virou fada
ganhou prata
com peso de ouro


Rayssa Leal (13 anos), a "Fadinha", medalha de prata
no skate street, nas olimpíadas do Japão.




08/05/2020

Sobre mães e paladares



  Mais um dia das mães se aproxima e a programação geralmente é a mesma (para quem pode): ir almoçar na casa da mãe. Relembrar o gostinho da comida da mamãe é sempre bom. Algumas vezes (também para quem ainda pode) essa reunião familiar acontece na casa a vovó, que segundo o dito popular, é mãe duas vezes, porque cria os filhos e depois os netos. E esse encontro de gerações, torna a refeição duas vezes mais saborosa.

 Os pais educam (ou educavam) os filhos de muitas maneiras: ajudam com o dever acadêmico, moldam o caráter no sentido moral, ensinamentos mais peculiares como o musical, trabalhos manuais e artísticos, e formam também o paladar. Há pais que também cozinham, mas no geral são as mães que botam a mão na massa. Principalmente da minha geração, em que um saía para ganhar o pão e outro cuidava do lar.

  Como cresci comendo (e muito) também nas casas dos meus avós, há sabores que aprendi a gostar, como o feijão da minha avó materna e a “marmota” que minha avó paterna fazia. Eu achava tão gostoso o feijão da minha avó materna que comia até os pedaços de cebola, coisa que eu não fazia em casa. Sempre fui chato pra feijão, inclusive. A “marmota” que minha avó paterna fazia era uma delícia! “Marmota” é um bolinho de polvilho doce, em forma de laço, que era frito e depois passado no açúcar ou canela, e era uma festa porque geralmente quando minha avó fazia, estamos vários primos reunidos. Bagunça geral! Minhas avós já se foram e levaram junto esse meu paladar. Já comi muito feijão bem feito, temperadinho e tal, inclusive o da minha mãe, mas um de mastigar a cebola, com gosto, esse se foi. A “marmota”, minhas tias fazem, minha mãe faz, mas... Falta algum toque diferente, um tempo a mais na fritura, um descanso a menos da massa... Não sei o que é, mas se foi também.

 Já a minha mãe faz pratos que considero especiais e que nunca comi melhor por aí: panquecas, almondegas, bolinho de bacalhau e torta de carne (ou frango) são imbatíveis. Uma vez, numa empresa em que trabalhava, fizeram uma vaquinha para comprar os ingredientes da torta de carne e pediram para minha mãe fazer. Ela atendeu o pedido, claro. Na sexta-feira santa, bolinho de bacalhau é imprescindível. Muitas vezes como só o bolinho, e vários! Ela também é muito boa com bolos. Em aniversários ou na hora do café da tarde, sempre há um belo bolo sobre a mesa. Claro que há muita memória afetiva em tudo isso, mas cozinhar também é uma forma de ser carinhoso. E carinho é bom, não é? Carinho enche barriga.

 No começo da minha adolescência o paladar se ampliou: as redes de fast food começaram a fazer parte da vida. Ir ao shopping e comer no McDonald's passou ser o programa principal. Isso no final dos anos 1980, decorrer dos 90. Hoje essas lanchonetes, essas bandeiras de grife, se multiplicaram: do Burger King ao Outback, passando pelo Habib's, Giraffas... Isso sem falar na trash food, os “dogão”, churrasquinho grego, uma “sub-rede” de lanches que, sinceramente, acho até mais gostosa. Tem de tudo um prato, de tudo um preço, para todos os gostos.

 A vida, as obrigações e tecnologia avançaram, o sistema de delivery se aperfeiçoou e vieram os aplicativos, como o Ifood. Somando essa facilidade de pedir comida, com a falta de tempo, cozinhar ficou cada vez mais “trabalhoso”. Sair cedo de casa, trabalhar, estudar, levar filho para a escola, buscar filho no curso (natação, balé...), afazeres do lar e ainda ter que cozinhar? Nem pensar. Com a maioria das pessoas afogadas em rotinas, essas redes de fast food começaram chegar mais cedo à boca das crianças. Isso sem falar em uma série de guloseimas industrializadas. Imagine o quanto isso uniformiza o paladar. Teremos gerações futuras com o paladar formado pela indústria alimentícia e, talvez, elas se “reeduquem” quando adultas. Deve ser triste não ter um carinho gustativo para lembrar.

 Claro que também utilizo os aplicativos para pedir comida, e tem muita coisa gostosa para comer. Mas igual à de casa, da mãe, não tem concorrente que supra o sabor, que vai além da mera degustação. O mais curioso é que existem restaurantes que oferecem a seus clientes a tal “comida caseira”. Só não fornecem a lembrança junto, porque a comida feita em casa leva um tempero que só existe na nossa memória. Está lá gravado, não se cozinha isso. Inclusive no dia das mães vou até a casa dos meus pais para almoçar, não só uma bela refeição, mas também alguma lembrança bem boa. E irei em outras datas porque haverá um dia em que a sexta-feira santa não terá o mesmo sabor. Bom apetite a todos.


AB




22/05/2019

Passa rápido...



A vida brincando com a morte:
na infância que passa correndo
aquele que for o mais lento
será um velho de sorte

Ou não...
De túmulo em túmulo
fazendo escarcéu
brincando se alcança o céu


Foto do @gustavogusmaobr (instagram)


www.gustavogusmao.com.br

12/10/2013

Presente - Dia das Crianças


no dia das crianças
ganhei um martelo

prego atrás de prego
prego meu destino
na cruz

mais um menino
Jesus
com presente
sem futuro







16/04/2013

Cantiga da aranha



A inspiração é algo interessante: enquanto olhava para o teto, pensando nos trabalhos da por... da maravilha da pós, fiquei observando uma aranha que apareceu do nada... Daí saiu esta cantiga:

Quero saber, quem vai falar
quem foi que ensinou 
a dona aranha a costurar

Quero saber, quem vai dizer
quem foi que ensinou
a dona aranha a tecer

Sobe e desce, tece a teia
a dona aranha não enrola
sobe e desce, tece a teia
não emaranha e não embola

Quero saber, quem vai dizer
quem foi que ensinou
a dona aranha a tecer...



06/03/2013

Da Proteção do Trabalho do Menor



De 2000 para cá a lei proíbe que o menor de 16 anos trabalhe com carteira assinada; salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos, ele arruma um contratinho meia sola. Isso para a sua proteção... Ou será que é para baratear a mão de obra?

Bem, tirei a CTPS com 13 anos e consegui que a assinassem aos 14. Não morri por conta disso, muito pelo contrário.

Essa proteção ao menor só gera informalidade.


O primeiro de muitos!


Título III
Capítulo IV
Seção I

Art. 402. Considera-se menor para os efeitos desta Consolidação o trabalhador de quatorze até dezoito anos. (Alterado pela L-010.097-2000)

Art. 403. É proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos quatorze anos. (Alterado pela L-010.097-2000)

Parágrafo único. O trabalho do menor não poderá ser realizado em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários e locais que não permitam a freqüência à escola. (Alterado pela L-010.097-2000)





05/04/2011

IN MEMORIAN


Uma singela homenagem de seus filhos e netos.



"...e o anjo voltou a morar na copa dos cajueiros..."

06/04/2010

Pega pedra

Lembra daquela brincadeira de jogar uma pedra para o alto e tentar pegar uma outra com a mesma mão? Fiz esta canção para ser cantada pelos adversários como forma de mal-agouro, enquanto um tenta ganhar o jogo.


Pega pedra


Pega pedra
Pega tenta
Quem não tenta
Nunca pega
Quem não pega
Perde a merenda

Gato malhado

O gato malhado
Subiu no telhado
E a pomba distraída
Ainda não se tocou
Mas ela deu sorte
Na hora do bote
Bateu asas e voou