25/11/2015
18/11/2015
06/10/2015
15/09/2015
Expo Poesia Agora - Museu da Língua Portuguesa
Fui visitar a exposição "Poesia Agora" no Museu da Língua Portuguesa, que reúne aproximadamente 500 poetas contemporâneos brasileiros.Havia uma das seções da exposição chamada "Desafio". A proposta da seção consistia em escrever um poema, sem utilizar uma das vogais do nosso alfabeto.
Desafio proposto, resolvi escrever um dos meus poemas. Depositei-o na urna da letra "A". Para minha surpresa, selecionaram e publicaram esse poema na exposição, nessa mesma seção.

Fiquei feliz por ser selecionado e por participar de algo que considero importante, porque muitos desses nomes ficaram para a posteridade.
Quem sabe o meu também fique!
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| A urna |
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| O poema |
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| Grato ao Fernando Bispo que fotografou e ao Paulo D'Auria que me avisou. |
14/09/2015
Em breve, o lançamento do meu segundo livro de poesia
Nessa ressaca nada me adoça
A substância negra é que me consome
E tento aliviar a minha fossa
em latas de coca, sem teu nome
Assuntos
simples, que nos ocorrem e recorrem diariamente, sobre quase tudo o que nos
cerca: a comida, o ego, a cidade, os relacionamentos interpessoais, o trabalho,
o amor, a morte... Tudo pode ser tema, desde que de alguma forma atinja o autor,
seja ela física ou psíquica.
A mente, que geralmente não nos mente, é constantemente inquieta, mas poucas
vezes paramos para pensar sobre os acontecimentos cotidianos, corriqueiros.
Agimos de maneira automática, fazendo tudo de forma quase que robotizada, sem o
mínimo de questionamento sobre a ação em si, sobre o objeto de contato, sobre a
relação “ser” versus “mundo”.
De forma simples e poética, o autor expõe suas ideias e inquietações, na
tentativa de digeri-las, sem muitos engasgos, e de engoli-las, de maneira
satisfatória.
A Psicoautoantropofagia da Vida Cotidiana é um convite à reflexão de
assuntos tidos como banais, mas que fazem parte do nosso dia a dia e que formam
a nossa visão de mundo.
16/07/2015
Por uma única bandeira
Vejo várias
bandeiras pelas ruas:
vermelhas,
azuis, cores do arco-íris
agitadas por
militantes, multidões
Populares,
militares ou civis
muitas
diferenças, ideias e razões
Me desculpe,
meu amigo ou camarada
“entendo” a
sua jornada
mas já não
tenho mais idade
pra esse papo
de “revolução”
Por que não
nos damos às mãos
e juntos, em
sociedade
não fazemos a
cidade
para toda a população?
Os anos
rebeldes passaram
Passaram até
na televisão
Da rebeldia (e
do tempo) juvenil
acredito que ficou
uma lição:
“Longe vá
temor servil”
como diz do
hino, o refrão
que cantamos
na escola
a contragosto,
mas que sabemos agora
a diferença
faz, ter uma única bandeira
desde os
tempos das brincadeiras
Passamos a
vida inteira brigando
Olhando para o
próprio umbigo
Fazendo do
amigo o inimigo
enquanto o
inimigo
e o inimigo do
inimigo
se juntam, se
fazem amigos
E estão no
poder!
E eleitos pelo
direito!
E, doa a quem
doer
querendo ou
não
todos eles nos
representam
como manda na
Constituição
E é difícil
mudar essa situação
porque de
eleição em eleição
elegemos o
ladrão, o ladrão
o ladrão do
ladrão do ladrão
E ninguém
merece perdão
No meio
político, o que vale
é o toma lá dá
cá, a negociata
E por mais que
façamos passeatas
falta um
discurso que nos iguale
Então por que
não formamos
uma única
nação, unidos pelo elo:
branco, azul,
verde e amarelo
se brasileiro,
todos somos?
A bandeira a
ser empunhada
é aquela que
foi hasteada
no pátio, dos
tempos de criança
Tempos de
escola e de esperança
em que se
sonhava
com o futuro...
Hoje o dia a
dia é duro
E muitas
crianças da nossa pátria
ainda não
sabem o que é escola
E, pior, só
sabem o que é esmola
É preciso
quebrar essa rima
Paradigma que
nos assola
Enquanto
houver essa sina
haverão muitas
chacinas
porque criança
fora da escola
é criança
morta!
É juventude
morta!
É futuro
morto, o resto é lorota!
Chega de ser o
país da bola
do carnaval,
do samba no pé
dos patriotas
em tempos de Copa
Valores que
não nos trazem nada
além de um
estereótipo vulgar
Quero que aqui
seja outro lugar:
o país da
ciência, da literatura
do Nobel, da
tecnologia, dos esportes
da igualdade
de oportunidades
O país do
conhecimento...
Mas paro um
momento e vejo
que não há outro
jeito
de mudar a
direção da nação
se não
mandarmos as crianças
às escolas!
E não às
celas, reformatórios
ou (pior)
cadeias... Grades?
Só se forem as
curriculares!
E que essas
crianças
no intervalo
das aulas
no pátio, após
o recreio
cercadas de
verde
sob o céu azul
anil
hasteiem uma
única bandeira
cantando em
uníssono, o refrão:
“Pátria amada,
Brasil!”
Mas até lá,
para essa nação
que sonho,
chegar
a nação de
hoje
tem que se
unir e lutar
por uma única
bandeira:
a bandeira da
educação
12/05/2015
SD nega maluca
ela
corre pelos campos de algodão
doce
em
direção às bombas
de
chocolate
que
explodem
na
boca
matando
a
vontade
ela
nem liga pra guerra
contra
a balança
e
exibe as cicatrizes do corpo
medalhas
de condecoração
o
rebolado é seu aliado
estiras
e sobrepeso é leve aos ombros
não
pesa ao combate, à mente
armada
de beleza até os dentes
sempre
vence os embates
entrincheirada
na
geladeira
entre
brigadeiros
morangos
e chantilis
ela
exibe seu sorriso de vitória
cheio
de creme
de leite
na
trégua
o bem
casado
baba
de moça
língua
de gato
03/05/2015
quando fomos nuvens
01/05/2015
23/04/2015
mar salvador
meus versos
minhas rimas
perdidos pelas
ruas da dor
espero
banhá-los um dia
nas águas
calmas cristalinas
do salvador
mar de Salvador
e junto ao teu
sorriso de menina
encontrar leve
a minha sina
e descansar
minha dor urbana
na cama, no
seio do teu amor
e que o tempo que move a areia
com o doce
sopro do vento
se cale, e
pare nesse momento
boa tarde
que tua tarde
seja linda
como és tu, oh
minha musa
que toda a luz
te conduza
pelos caminhos
que tem ainda
e teu brilho
que nunca finda
luz bela que
revela
clareza de
singela doçura
ilumine astros
e estrelas
nas minhas
noites mais escuras
21/04/2015
20/04/2015
07/04/2015
diálogos poéticos: o poeta enfermo e a musa enfermeira
(escrito
a quatro mãos)
No
seu leito de loucura noturna, o poeta sofre e diz à musa enfermeira:
nem
tudo que reluz é ouro
mas
ouro não me seduz
esses
grandes olhos castanhos
raros
e não estranhos
ao
meu coração, fatal
sua
luz que brilha, letal
é
o mais precioso metal
essa
sim, nobre maravilha
cristal
que rebrilha, luz venal
pois
nem tudo que é ouro reluz
nem
tudo que é ouro conduz
a
algo bom
-
a musa enfermeira
poesia
crônica aguda
não
é fácil tratar
na
gravidade de espasmos e mudanças no olhar
há
até quem desista de cuidar...
mas
veja bem, enfermo poético,
talvez
eu, dessa doença, possa te curar.
-
o poeta enfermo
mas
e seu e não quiser ser curado
e
sim perder as estribeiras
para
ser eternamente tratado?
será
que essa musa enfermeira
mesmo
assim, vai me ajudar?
-
a musa enfermeira
viver
na eterna loucura
perder
as estribeiras
depender
da musa enfermeira
é
algo que se deve querer?
-
o poeta enfermo
é
algo que se deve
porque
senão como saber?
como
diz o outro poeta
que
também perdeu a estribeira
"que
seja eterno enquanto dure"
o
tratamento e a musa enfermeira
-
a musa enfermeira
o
tratamento e a musa enfermeira são duradouros
tem
que ver se o mesmo pode se dizer do louco
-
o poeta enfermo
louco
não sabe que é louco
seu
distúrbio é duradouro
e
sua loucura é contagiosa
porque
a enfermeira (que é mó gostosa)
demonstra
que isso a afeta
pois
também está virando poeta!
-
a musa enfermeira
a
enfermeira é quase poeta
e
a loucura contagiosa
gostosa
é por sua conta
e
nossa conversa engenhosa
-
o poeta enfermo
a
enfermeira, agora poeta
é
gostosa além da conta
porque
não é qualquer uma que é engenhosa
pra
conversar assim tem que ter talento
e
isso ela tem de sobra
só
não mostra, a enfermeira
-
a musa enfermeira
você
chama de talento
eu
chamo de esforço
rimar
pra te fazer graça
e
te colocar um sorriso no rosto
02/04/2015
diálogos poéticos entre o bolo e a cereja
(escrito a
quatro mãos)
- o bolo
acima do doce
acima do sabor
acima da forma
acima do
desejo
a cereja
sob ela o bolo
que almeja
entre
beijinhos e suspiros
fazer a festa
- a cereja
do elogio ao
riso
da expressão
ao livro
em noites de
encanto
ele, o bolo
exagerado a princípio
cultivando na
cereja
um vício
- o bolo
acho ela linda
ela me acha
exagerado
sou bolo doce
sem ser melado
ela é a cereja
única do
açucarado
mundo que construímos
- a cereja
do bolo o doce
toque
na cereja o
mel na boca
no traço da
distância
o selar da
intimidade
na explosão da
cumplicidade
fica o afago
da espera
e a certeza do
querer
09/03/2015
26/02/2015
Black SP
algo irá acontecer
na cidade
intensidade
o céu ficará
negro
e o dia irá escurecer
a água irá cair
as ruas irão
encher
a noite será
escura
não haverá
amanhecer
a torneira irá
secar
só sobrará o
Tietê
o trânsito irá
parar
não haverá pra
onde correr
o estresse se
espalhará
e atingirá
você
seu coração explodirá
e você irá morrer
no meio da
multidão
ninguém irá querer
saber
de mais um
corpo pelo chão
atrapalhando o
entardecer
você irá apodrecer
a enxurrada o levará
ratos irão te roer
não há nada o
que fazer
porque aqui é
a Black SP!
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| foto: Tati Mendes - região do centro de SP |
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