06/04/2010

Monólogo do medo - I


Boa noite... bom dia, ou boa tarde, sei lá, tanto faz. Essa marcação inventada de tempo para mim não faz a menor diferença, não tem nenhuma importância, nenhum sentido. Independente da hora, do dia, do mês, do ano, em qualquer momento, inclusive neste agora, estou com você. Não estou ao seu lado, nem te seguindo pela rua, não lhe observo de longe, não sou um vouyer na fechadura, ou na janela, nem preciso de câmeras ligadas com as lentes vinte e quatro horas sob vigília para saber onde você está. Sei de cada movimento seu, de cada vontade sua, de cada desejo, anseio, sei de toda a esperança que carrega no peito, sei de cada sonho que você “acredita” ser possível de realizar... mas não o faz. Sei de tudo isso porque moro dentro de você! Não, não. Não sou um verme. Nem uma lombriga, nem um vírus, nem bactéria, nem parasita... Espera ai, parasita? Parasita... parasita! É, talvez eu seja um parasita. Não, não, também não. Parasita é o que eu consigo fazer de você! Ajo de mansinho... imperceptível... Planto a semente da dúvida, sopro ao pé do ouvido uma qualquer solução contrária há situação e pronto: nasce mais um parasita. Eu tenho um poder tão grande que consigo deixá-lo sentado, as vezes até deitado, por toda a tediosa vazia existência humana que você já tem como garantia de posse. Vazio... por isso que muitos de vocês são vazios. Para que mudar? Mudar para que? Se eu já tenho o vazio como garantia. A mudança cansa, é trabalhosa... dá trabalho... não vale a pena. É melhor deixar como está.

Nenhum comentário: