25/07/2011

O filho do recluso

Julho Miguel e Lêninha: acho que nunca ouvi algo tão bizarro e ao mesmo tempo maravilhoso! 

Na música "O filho do recluso" um filho canta, com todo amor, para o pai que está preso. O incentiva a superar a estigma de ser um presidiário. O mais engraçado é que se essa música fosse brasileira, com certeza ela seria um RAP.

Ouçam e tirem suas conclusões! O sotaque "portuga" do moleque é demais!




Ouvi essa música no programa Garagem. Para quem gosta de ouvir novidades do rock e eletrônico, clássicos e coisas como a dupla portuguesa acima, mais que recomendo ouvirem esse programa.

21/07/2011

Revista Proibida


A milhares e milhares de músicas bregas em que uma mulher dá um pé na bunda dum cara e ele fica triste, bebe horrores, arruma confusão... Mas a melhor delas é a Revista Proibida, do Odair José.

A música conta a estória de um cara que vai até a banca de jornais, compra uma revista de mulher pelada, para "acabar" com a solidão e, para sua surpresa, a musa nua é a sua ex! Quando ele vê a revista, todo o quebra-cabeça do fim estranho de seu namoro se forma.





Quando a ficção vira realidade.

Em Taiwan um carpinteiro, visando acabar com a "solidão", comprou um DVD pornô, até aí normal. O que ele não esperava é que a protagonista fosse sua esposa! Leia sobre aqui.

Quando ouvir um brega, por mais absurdo que possa parecer, não duvide de que aquela estória possa ser ralidade.

16/05/2011

Maria, Maria

Maria, Maria
O que ela queria
Eu já sabia
Que era só dinheiro
Pra dizer poesia.


A alma fria
Não vale um verso
Quem diria
De todo universo
Logo você
Maria...






05/04/2011

IN MEMORIAN


Uma singela homenagem de seus filhos e netos.



"...e o anjo voltou a morar na copa dos cajueiros..."

01/04/2011

Parabéns, Mentira.



Os grandes atores sociais nos servem de referência cultural, marcam nossas características e nos identificam meio a toda história da humanidade. Dia do Índio, da Árvore, dos Namorados, datas e personagens históricos, Natal, Paz.

Parabéns, Mentira, pelo seu dia!


31/03/2011

e-book e-roubo



Li uma matéria na revista da Livraria Cultura (infelizmente perdi a revista e não lembro qual é a edição) sobre e-books, de como são mais baratos que livros impressos; chegam a ser 30% mais baratos. Numa primeira leitura achei essa diferença entre os preços muito interessante, partindo dum ponto de vista de leitor (consumidor), já que ler novas obras ficará "mais barato". Obras antigas ainda prefiro comprar nos Sebos da cidade. Mas depois de analisar do ponto de vista do autor, da pessoa que produz arte, acredito que o fato do livro VIRTUAL custar SOMENTE 30% "mais barato", seja um assalto a mãos armadas! Sim, mãos: porque os "ladrões" são muitos.

Quando se fala em preço de livro - ou de qualquer que seja a produção artística: CD, DVD, HQ... – sempre a culpa pelo alto valor cai sobre os "direitos autorais", o que na verdade é uma puta duma mentira. Esse termo "direitos autorais" é utilizado como cortina de fumaça, já que ele carrega indireta e semanticamente a idéia de "autor", que é o cara que "cria a parada", sacou? E é o cara que menos ganha. Desviam a verdadeira causa dos autos preços e jogam a batata quente na mão do escritor.

Quando escrevi meu livro, fui atrás de algumas editoras para tentar publicá-lo. Fui ignorado. Não tive nem o "não" como resposta. Aproveitei que havia ganho um processo de uma empresa na qual trabalhei a tempos atrás, juntei essa grana com a indiferença que recebi das editoras e decidi fazer o livro por conta própria, e fiz ele todo: textos, capa, diagramação, cadastro na Biblioteca Nacional para solicitar o ISBN... Tudo que precisava ser feito eu fiz, e só falta uma coisa, e esta não tinha como eu fazer: imprimir o livro. Cotei o valor de produção dos livros com algumas editoras, fiz na que acreditei fosse me trazer o melhor custo-benefício. Foi aí que comecei a ver como funciona o negócio (no sentido mais "negócio" da palavra). Depois de ter pago à vista (quase R$5.000,00), ter entregue todos os arquivos prontos (literalmente a editora só teria que imprimir) tive que assinar um contrato em que deixaria com ela 50 exemplares e eu pagaria a ela 30% de comissão por livro vendido, sobre o valor de capa; valor esse decido por mim (menos mal). Deixei os exemplares lá, meio contrariado, mas não havia outra opção. Quando perguntei sobre a possibilidade de colocar o livro para ser vendido em livrarias, vi onde é que a porca torce o rabo! O esquema de distribuição e repartição de valores funciona assim: nesse processo, quatro elementos estão envolvidos: o autor, que fica com 30% sobre o valor de capa, o distribuidor, que fica com 20%, a editora, que fica com 20% e a livraria, ponto final da cadeia logística, que fica com 30%; ou seja, se o livro custar R$20,00, o autor (idealizador da obra) ganha R$6,00, a editora R$4,00, o distribuidor R$4,00 e a livraria R$6,00. Dos R$20,00, o autor ganha R$6,00 e R$14,00 fica com o esquema logístico. O pior disso é que o distribuidor provavelmente é da própria editora, o que a deixaria com 40% do bolo (a maior parte, apesar de não fazer nada além do que imprimir o livro). Eu, que idealizei a obra, diagramei, fiz capa e tudo mais, ficaria com 30%. E olha que ainda ganho uma bela porcentagem. Os autores que são lançados pelas editoras, que não arcam com custo nenhum, com certeza, não chagam a receber nem perto disso. Se eu colocasse meu livro para vender nas livrarias por R$30,00, que é um preço alto, ainda sim não ganharia nada, apenas recuperaria meu investimento. Preferi não manda-los às vitrines, não quero escrever para sustentar cadeia logística. Eles que se fodam!

Agora vamos ao e-book: qual é o valor de produção de um livro virtual; um livro que não existe fisicamente, que não será impresso e nem distribuído como um físico? Acredito que seja quase ZERO. Claro que terá alguém que fará a capa, a diagramação, alguém que opere o software que produz o e-book, mas quanto essas pessoas ganham por mês para fazerem centenas de e-books? Fora que um e-book, um único arquivo, é preciso ser feito, e pode ser reproduzido infinitamente, sem custo NENHUM. Se for por na ponta do lápis, o valor de capa de um livro virtual (que não precisa ser impresso, transportado, exposto em vitrine ou entregue pelo correio, etc., etc....) teria que ser muito mais, mas muito mais barato que um livro impresso. Só 30% a menos, é pouco. E o que as editoras utilizam para justificar o preço? Os "direitos autorais"; que como vimos, é o menor dos custos.

As editoras estão amando os e-books, pois jogaram o custo no chão, reduziram somente, e no máximo, 30% do valor de capa, e o autor, idealizador da obra, continua mal fodido e mal pago como sempre foi.

Os e-books são minas-de-ouro que as editoras estão explorando, o peão que curva a coluna labutando sob sol e a seca continua sendo o autor, e os "direitos autorais" é a cortina de fumaça que encobre toda essa história.

22/03/2011

Pirataria


Muito se fala sobre a Pirataria: que o país perde em impostos, a indústria perde em empregos e assim por diante. O pior desse diz-que-me-disse, acredito eu, é a culpa que os camelôs levam, como se fossem eles os grandes responsáveis pela existência desse mercado negro, dessa indústria paralela; quando na verdade um camelô é só mais um desempregado tentando ganhar a vida.

Mas não quero neste texto divagar sobre esse assunto tentando apontar uma causa, um responsável ou culpado pela existência dessa prática ilegal; quero entrar na seguinte proposição: qual a importância da Pirataria numa sociedade consumista como a nossa? Se perceber, a Pirataria funciona como um fator de inclusão cultural.

Filmes que seriam acessíveis à classe mais pobre, somente quando fossem veiculados via TV aberta, hoje estão disponíveis nas barracas muito antes que nas locadoras (nas poucas que sobraram). A indústria cinematográfica, junto com a fonográfica, acredito que sejam as mais afetadas financeiramente. Mas a que mais me chama atenção, no sentido de inclusão, são as indústrias da moda e a eletrônica (ou digital).
 
Hoje as pessoas que circulam pelas ruas, aparentemente, estão cada vez mais fashion: óculos escuros de todos os formatos, tênis dos mais diversos modelos, bolsas femininas que custariam uma fortuna se fossem verdadeiras, bonés, camisas e camisetas, perfumes, celulares, MP3, MP4, 5... etc., etc.. O fato dos produtos serem falsificados e de pouca durabilidade ou qualidade não quer dizer absolutamente nada. A sensação de fazer parte de um grupo que anda conforme às regras do momento, não tem preço; alias, tem sim, e custa mais barato que o “original”.

Em “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade”, Walter Benjamin desenvolve suas idéias de que como os processos de industrialização contribuíram para a democratização da cultura. Com os dados certos e a leitura dos livros corretos, vou trabalhar nessa pesquisa de que como a Pirataria contribui para uma “redemocratização” cultura. Ousado, não?


19/03/2011

Ao mestre com carinho


O fotógrafo italiano Oliviero Toscani, causou estardalhaço no mercado publicitário, na década de 1990, com as campanhas institucionais da Benetton.

Sempre fui fã desse cara. Depois de estudar Publicidade e Propaganda fiquei mais ainda. 

Cheios de métodos, regras e pesquisas, os profissionais da publicidade trabalham minuciosamente na busca em prender a atenção do público consumidor, com peças cada vez mais elaboradas. O fotógrafo Oliviero Toscani mostrou que audácia simplesmente é tão eficaz quanto a infinidade de pesquisas e de estudos que a publicidade vive fazendo.

Em 1995 ele foi entrevistado no programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura, onde ouve grandes discussões dele com profissionais da propaganda. Clique e veja o programa.

Ele escreveu um livro chamado "A publicidade é um cadáver que nos sorri", onde ele faz críticas aos clássicos anúncios publicitários.

Ainda não apareceu alguém que chutasse a bunda da publicidade como Oliviero fez.



18/03/2011

IRA!

A melhor banda do Rock Brasil!


Marchinha do maconheiro

Roubaram a mistura da marmita 
Larica, larica

Pegaram os ovos e a lingüiça
Larica, larica

Ladrão danado, que fumou maconha
Tá perdoado, o safado sem vergonha
O meliante era um menino moço
Que queimou um fumo antes do almoço

Cê ta ligado, com a fome não se brinca
Mas por favor não toque mais na minha marmita

Alimentado, agora vem à preguiça
Larica, larica...


Felicidade clandestina II



A Felicidade tem um preço
E não sei qual ou quanto é.

Se soubesse pagaria, mas...

Enquanto não tenho a Felicidade
Compro bugigangas, piratarias e falsificações
E vivo-a clandestina
Até que acabem as ilusões

Mas tudo é ilusão
Coisas que sinto

O real é tão real quanto o abstrato
Como trato então essa questão?

Simples: abraço a Felicidade, mesmo clandestina
Levo-a de mãos dadas ao bar
Falamos e bebemos felizes
De coisas que não interessam a ninguém
Depois dançamos ao som da Jukebox:
“Você é luz, é raio, estrela e luar...”
Conversamos pelo brilho dos olhos...

Isso sim é ser feliz:
Viver o ridículo do amor:
Quebrar o monótono da rotina
Com o ridículo

Pensar coisas ridículas
Geradas pela insegurança
Para que aja incêndio
Que depois se apaga
E sobra a segurança
E a felicidade volta

Ser feliz é não ter medo de ser ridículo.

Pensando assim
Vejo que a Felicidade não custa nada
E que clandestino é um pensamento inseguro
Que acorrenta meus pés bem na hora do baile

Eu matei Deus



Ontem matei Deus

E fui ovacionado pelas massas apaixonadas

Metei o marmanjo que nos Anjos
Nas costas colocava asas

Agora ninguém mais vai voar
Talvez, quem sabe, só caminhar

Assim será difícil a possibilidade
De um Anjo voar para outra cidade

Felicidade plena de todos os amantes
Que podem amar tranqüilo, diferente de antes

Dedicava o amor, e quando olhava
Lá se ia no ar... o Anjo voava...


Tudo parecia igual...


A maioria dos finais de semana pareciam iguais. Já não tinha mais tanta graça assim sair para algum bar, encostar e ficar papeando, tomando uma cerveja. Todos pareciam oferecer as mesmas coisas: as mesmas bebidas, os mesmos cigarros, as mesmas conversas, os mesmos flertes, os mesmos mesmos... iguais, todos acabaram ficaram iguais. Mas mesmo assim Roberto ainda insistia em freqüentá-los. Quando se tem vida, se anseia por algo, e o que você quer não está dentro de casa, o que resta é sair em busca, mesmo não sabendo o que se quer. E era o que Roberto fazia.


Chegou á sexta-feira Roberto decidiu não sair com os amigos. O pessoal do trabalho achou até estranho – logo ele, que não perde um happy hour – alguém comentou. Despediu-se do pessoal, entrou no carro, ligou o rádio na estação de sempre e seguiu em direção à locadora de vídeo – o lance é pegar um filme, uma pizza, ficar em casa, curtir um pouco a solidão – pensou e tomou tal decisão. Tinha lido num jornal sobre um filme que acabara de ser lançado para locação, um do ator e diretor norte-americano Clint Eastwood – As Pontes de Madison – havia lido a sinopse, achou interessante, decidiu locá-lo. Há tempos não pegava um filme. Chegou à locadora e saiu à procura do longa. Viu-o na mão de uma garota que estava encantadoramente parada, com uma expressão suave ao belo rosto, lendo a contra capa... Roberto ficou parado olhando... a menina olhou-o de volta... Sorriu, disse:

- Você quer levar esse filme?

- Sim... quer dizer, não. Se você for pega-lo, não precisa se incomodar, eu o levo outro dia, não tem problema. - Disse meio sem jeito.

- Não, não, pode levar. Eu já assisti. - Disse num tom normal, mas para Roberto aquelas palavras soaram com toda a graça do mundo.

- Ah, já! É bom, gostou? – Perguntou insitntivamente.

- Adorei, é maravilhoso! Eu assisti no cinema. - Ela era fã de Clint Eastwood. Aprendeu a gostar do ator de tanto ver os filmes de western ao lado pai.

- É, que bom! Foi com o namorado? – Essa pergunta não fez por instinto e sim por malícia, de quem sabe como chegar ao ponto que quer.

- Não, não... é que gosto de cinema, e quando ninguém quer ir, vou só. Não perco os filmes que quero ver, por falta de companhia. - Respondeu com sorriso nos lábios.

- Como você se chama?

- Rita.

- Me fala um pouco do filme. - Ele disse a ela seu nome também e o papo seguiu.

            A conversa caminhou tão naturalmente que quando os dois prestaram atenção há situação, já haviam trocado os números dos telefones.

            Em casa, ansioso, Roberto apresou os preparativos para assistir ao filme. Esperou a pizza, sentou-se atencioso no sofá e mergulhou na estória, prestando atenção a cada detalhe, para poder ter o que falar com a menina que acabara de conhecer. E se encantar.
           
            No outro dia, tímido, ligou para Rita, meio sem jeito, convidou-a para ir ao cinema, sem mesmo saber o que estava passando nas salas. Rita, sem pensar muito, aceitou. 




Amarelo


O amarelo não é todas, mas é parte de todas, em síntese. Na agonia da orelha cortada de Van Gogh, na imponência do Sol, no milho de Cora orado em versos, nos berros New Waves dos anos oitenta, na aurora, arco-íris, no sorriso sem graça da fome... O amarelo é cor e metáfora. Como cor é tijolo da muralha multicolorida dos anúncios publicitários, imagens eletrônicas formadas por bilhões de micro-pontos enfileirados. É componente indispensável na receita das cores: açúcar em pudim, sal em batatas fritas. Como metáfora é um nascer matinal diário diluído em raios de utopia que se espera algo bom. É traço da barriga vazia que chora amarelo, que aparenta amarelo, mas que não amarela ante à vida. Sem o amarelo tudo isso seria menos ou até não seria. Na certeza da não existência do amarelo, diria que as coisas seriam sem o verde da esperança e o céu não seria anil. Acho que as coisas seriam negras, como os olhos que não enxergam o amarelo, acham que é. 

11/11/2010

Samba da Taguá

Acabou a aula
Tá na hora de animar
Antes de ir embora
Eu desço pra Taguá

E lá eu entro no agito
A cerveja enche o copo – 2X
E a maconha é pirulito

Vamos lá galera
É hora de brindar
Levantar o copo
Vamos pra Taguá

E lá eu entro no agito
A cerveja enche o copo – 2X
E a maconha é pirulito

A vida é mesmo bela
Temos que aproveitar
Faculdade é o caralho
Nós vamos pra Taguá

E lá eu entro no agito
A cerveja enche o copo – 2X
E a maconha é pirulito

07/06/2010

Amizades

Enquanto a Sandra
Schamas
O Benedito
Deíta

Mas e a Bruna?
Nehring aí pra nada...

07/04/2010

Mais valia

Hoje fiz render um milhão
Que coisa boa
Que alegria pro patrão

Anoiteceu, eu vou embora
Pra descansar e voltar
Antes da aurora

06/04/2010

Sem palavras

Este poema é do amigo e poeta Sergio Silva
Blog: RE-GRANMA


Sem palavras


Encontro-a no traçado das letras
na graça e na sutileza de certas palavras....
Na nota musical da melodia
e no refrão de uma bela canção.

O que estarás lendo em sua cama?
O que estarás ouvindo no momento
em que o pensamento flutua como bolha de sabão?

Essas são as peguntas que o dia nos proporciona
Por isso é que prefiro a noite
que é de onde vem todas as respostas.

Sérgio Silva

Sem dó - II

Algo de estranho lhe acontecia. Antigamente não reparava, mas de uns tempos para cá não conseguia mais deixar de notar. Suas entranhas se contorciam cada vez mais de raiva, provocando uma reação trêmula logo abaixo do seu olho direito, como se fosse um pedido do corpo à mente – faça alguma coisa, e logo. Os noticiários da TV passaram a ficar insuportaveis: a mulher, sempre bem penteada, roupa aprumada, linguagem impecável, anunciava a desgraça com semblante de preocupação. Atônita. Tantos mortos não sei onde, assalto termina em tragédia não sei donde, seqüestro, desemprego, crise... Mas logo após a enxurrada de sangue e tristeza vinham os gols da rodada, alterando da água para o vinho a expressão no rosto da apresentadora. Não conseguia mais acompanhar essas inversões de humor, não lhe fazia sentido aquilo. Valores contrários caminhando lado a lado em prol da informação - cretinos! - era assim que passou a chamar os jornalistas que apresentavam os programas policiais - locutores da morte, encobrem a verdade com seus gritos demagogos - aquilo para ele era o fim. Vomitou.

Certo dia dentro no vagão do metrô viu um cartaz que dizia: adote um amigo. Nele havia alguns animaizinhos desenhados com cara de abandonados, e descendo mais um pouco as instruções para que você, com dinheiro, contribuísse para a casa sei lá das quantas e passasse a “criar” um desses desamparados bichinhos - algum filho da puta abandona o bicho e outro filho da puta, com dó, adota-o a DISTÂNCIA. Só rindo mesmo.

Saiu pela Sé em direção a Rua Benjamin Constant. Passou indiferente pelos garotos imundos que cheiravam cola na praça – olha o crente, maldito, acha que vai salvar a humanidade gritando desse jeito, não deve nem saber ler direito – Os camelôs amontoados vendiam tudo quanto eram coisas, driblou-os. Um bando de gente procurava trabalho. Alguém tropeçou: um riu, o outro ajudou – ta ficando raro isso. Uma mulher com uma criança de colo pedia aos transeuntes - uma moeda pra dá de comer a menina... Obrigado, Deus lhe abençoe - Sentiu nojo daqueles gestos. Passou em frente ao banco. Filas enormes... Seguranças. Um garoto com um caixote nas costas veio em sua direção:

- Vai graxa ai dôto?

- Sai pra lá molambo! – O moleque não teve reação.

Guarda Civil Metropolitana presente, Estado coercivo imponente, mantendo a ordem... Ordem. Chamam toda essa merda de ordem. A ordem está inversa.

Segui na rua, subiu a Quintino Bocaiúva - livros usados... Usados... Somos todos usados.

De saint-tropez preta colada ao sedutor copo, parada num ponto qualquer do Lgo São Francisco, encarou-o. Caminhou em direção a ela maravilhosa. A calcinha, marcada na calça, era minúscula. Deixava escapar a provocante renda pela lateral, de propósito. O pequeno top apertava os seios. Ele aproximou-se e ouviu sair dos avermelhados lábios:

- E ai, ta a fim de um programa?

- Quanto?

- Oitenta, meia hora.

Pensou um pouco e aceitou. Foram em direção a uma pequena porta fumê. Ela pegou a chave com uma cara que estava atrás dum pequeno balcão que havia na entrada.

Sem dó - I

Algo de estranho lhe acontecia. Antigamente não reparava, mas de uns tempos para cá não conseguia mais deixar de notar. Suas entranhas se contorciam cada vez mais de raiva, provocando uma reação trêmula logo abaixo do seu olho direito, como se fosse um pedido do corpo à mente – faça alguma coisa, e logo. Os noticiários da TV passaram a ficar insuportaveis: a mulher, sempre bem penteada, roupa aprumada, linguagem impecável, anunciava a desgraça com semblante de preocupação. Atônita. Tantos mortos não sei onde, assalto termina em tragédia não sei donde, seqüestro, desemprego, crise... Mas logo após a enxurrada de sangue e tristeza vinham os gols da rodada, alterando da água para o vinho a expressão no rosto da apresentadora. Não conseguia mais acompanhar essas inversões de humor, não lhe fazia sentido aquilo. Valores contrários caminhando lado a lado em prol da informação - cretinos! - era assim que passou a chamar os jornalistas que apresentavam os programas policiais. Locutores da morte encobrindo a verdade, gritando mais e mais que é preciso fazer isso, é preciso fazer aquilo - mostra a cara do vagabundo ai... temos que tomar alguma providência - aquilo para ele era o fim. Vomitou.

Certo dia dentro no vagão do metrô viu um cartaz que dizia: adote um amigo. Nele havia alguns animaizinhos desenhados com cara de abandonados, e descendo mais um pouco as instruções para que você, com dinheiro, contribuísse para a casa sei lá das quantas e passasse a “criar” um desses desamparados bichinhos - algum filho da puta abandona o bicho e outro filho da puta, com dó, adota-o a distância. Só rindo mesmo.

Saiu pela Sé em direção a Rua Benjamin Constant. Passou indiferente pelos garotos imundos que cheiravam cola na praça – olha o crente, maldito, acha que vai salvar a humanidade gritando desse jeito. Camelôs amontoados vendendo tudo quanto é porra. Um bando de gente procurando trabalho. Alguém tropeça: um ri, outro ajuda (coisa rara). Uma mulher com uma criança de colo pede aos transeuntes: uma moeda pra dá de comer a menina. Obrigado, Deus lhe abençoe. Sentiu nojo daquilo. Passou em frente ao banco. Filas enormes... seguranças. Vai graxa ai doto, sai pra la molambo. Guarda Civil Metropolitana presente, Estado coercivo imponente, mantendo a ordem... ordem. Chamam isso de ordem. A ordem está inversa. Segui na rua, subiu a Quintino Bocaiúva. Livros usados... usados... somos todos usados.

De saint-tropez preta colada ao sedutor copo, parada num ponto qualquer do Lgo São Francisco, encarou-o. Caminhou em direção a ela, maravilhosa, a calcinha, marcada na calça, era minúscula. Deixava escapar a provocante renda pela lateral, de propósito. Top minúsculo também, apertando os seios.

- E ai, ta a fim de um programa?

- Quanto?

- Oitenta.

- Ok.

Suicida

Já que a morte vem
Um dia, pensado bem
Viver, que mal tem?

O poeta que foi ao céu

Um dia numa certa cidade
Um poeta já de muita idade
Acordou cansado
Mesmo assim escreveu
Escreveu, escreveu...
Até que morreu.

Sua alma seguiu o destino obrigatório
Entre céu e inferno, parou no purgatório

...
Fez da letra uma arte
Apesar disso não ter utilidade

O dia é um dia

O dia é um dia e nada mais
Chuvoso ou cinzento
Ensolarado, com vento ou sem vento
O dia é um dia e nada mais


Indiferente, o dia
Passa

Sorriso menino

No sorriso menino
Repousa a paz
Incerto destino
Dum futuro rapaz
Que o sorriso me traz

Meu dia começa

Meu dia começa
Quando
Me sorri
Antes
Sou somente
Coração
Pulsando em trevas

E assim foi feito (o éden)

Depois de descansado
Deus, de forças renovado
Viu que algo mais era preciso
E na terra criou um paraíso


Éden foi o nome lhe dado
E para desfrutar dessa imensidão
Do barro formado e soprado
A vida, criou-se Adão
Que lá foi colocado


Plantou a árvore da vida
Com a fruta proibida
No centro do jardim
E ao homem disse assim:
“Se comeres da maldita,
Rápido terás o seu fim”


Era para ser a segunda parte do poema E assim foi feito (o princípio)

Poderia ter dado certo...

Poderia ter dado tudo certo. Se havia algo de bom era só deixarmos esse “algo bom” contaminar o resto de nossos restos. Aprendemos a fazer a coisa errada: geralmente colocamos os prós e os contras numa balança, contamos os dois e equilibramos as quantidades, o que é errado. No desejo não se equilibra pelas quantidades e sim pela intensidade. Uma coisa intensa sempre será maior que dez sem intensidade. Era só deixar tudo se misturar que o desejo de maior intensidade contaminaria todos os outros. Quando se sente “algo bom”, nem que seja só um, com certeza ele vai prevalecer. É uma maçã boa que cura o cesto podre. Olhar o ruim é perder a chance de desfrutar o que é belo.

Pega pedra

Lembra daquela brincadeira de jogar uma pedra para o alto e tentar pegar uma outra com a mesma mão? Fiz esta canção para ser cantada pelos adversários como forma de mal-agouro, enquanto um tenta ganhar o jogo.


Pega pedra


Pega pedra
Pega tenta
Quem não tenta
Nunca pega
Quem não pega
Perde a merenda

O que é a vitória?

Penso às vezes que a vitória é um misto de reconhecimento e glória, originados do emprego de nossa força em alguma coisa que resulta em outra coisa... mas para ter reconhecimento e glória, o que para muitos é essencial para se sentir vitorioso, vencedor, é preciso que outro me conceda essa alegria, pois elas para existirem, mesmo elas não existindo, é preciso da aprovação alheia. Minha vitória, ou minhas vitórias, todas elas, sinto-as só, sem o olhar julgador do outro, sem a contemplação dos demais, sem os aplausos dos meus semelhantes, que muitas vezes soam por educação e indiferentes, sem medalhas de honra ao mérito ou diplomas enquadrados, sem os louvores das massas, sem fama, troféu, sem nada, meu êxito existe por si só, meus ouvidos são surdos aos aplausos, minhas paredes são límpidas das obrigações subservientes, minha pele não tem broches brilhosos e coloridos, minha vitória é sem troféu e não tem o beijo da menina que segura o guarda-chuva... é sem pódio.

Gato malhado

O gato malhado
Subiu no telhado
E a pomba distraída
Ainda não se tocou
Mas ela deu sorte
Na hora do bote
Bateu asas e voou

No fundo ela gosta

Vivo mexendo com aquela nega, mas ela vive se fazendo... Ela faz isso, mas sei que no fundo, no fundo, ela ta é querendo...

Ela nega querer
E não me da resposta
Mas no fundo ela gosta

Quando pesso atenção
Ela me da as costas
Mas no fundo ela gosta

Se recusa a ir comigo
Para minha palhoça
Mas no fundo ela gosta

Monólogo do medo - II


Boa noite... Bom dia, ou boa tarde... Ou sei lá o que. A marcação do tempo para mim não faz diferença, não tem importância. Nenhum sentido. Em qualquer momento, inclusive neste agora, estou com você. Não estou ao seu lado, nem te seguindo pela rua, não lhe observo de longe, não sou um vouyer na fechadura, nem preciso de câmeras ligadas com as lentes vinte e quatro horas sob vigília para saber onde você está. Sei de cada movimento seu. De cada vontade sua, cada desejo, anseio... Sei de toda a esperança que carrega no peito. Sei de cada sonho que você “acredita” ser possível de realizar... Mas não o faz acontecer. Sei de tudo isso porque moro dentro de você! Não, não... Não sou um verme, e nem um parasita. Alias, parasita é o que eu consigo fazer de você! Ajo de mansinho... Quase que imperceptível... Eu, junto com minha grande aliada, a Dúvida, faço você desistir de qualquer coisa. Consigo deixá-lo por toda a tediosa e vazia existência humana creditando que pode fazer, mas nunca faz.

Monólogo do medo - I


Boa noite... bom dia, ou boa tarde, sei lá, tanto faz. Essa marcação inventada de tempo para mim não faz a menor diferença, não tem nenhuma importância, nenhum sentido. Independente da hora, do dia, do mês, do ano, em qualquer momento, inclusive neste agora, estou com você. Não estou ao seu lado, nem te seguindo pela rua, não lhe observo de longe, não sou um vouyer na fechadura, ou na janela, nem preciso de câmeras ligadas com as lentes vinte e quatro horas sob vigília para saber onde você está. Sei de cada movimento seu, de cada vontade sua, de cada desejo, anseio, sei de toda a esperança que carrega no peito, sei de cada sonho que você “acredita” ser possível de realizar... mas não o faz. Sei de tudo isso porque moro dentro de você! Não, não. Não sou um verme. Nem uma lombriga, nem um vírus, nem bactéria, nem parasita... Espera ai, parasita? Parasita... parasita! É, talvez eu seja um parasita. Não, não, também não. Parasita é o que eu consigo fazer de você! Ajo de mansinho... imperceptível... Planto a semente da dúvida, sopro ao pé do ouvido uma qualquer solução contrária há situação e pronto: nasce mais um parasita. Eu tenho um poder tão grande que consigo deixá-lo sentado, as vezes até deitado, por toda a tediosa vazia existência humana que você já tem como garantia de posse. Vazio... por isso que muitos de vocês são vazios. Para que mudar? Mudar para que? Se eu já tenho o vazio como garantia. A mudança cansa, é trabalhosa... dá trabalho... não vale a pena. É melhor deixar como está.